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Textos sobre o Português nas nossas escolas.Textos (de vários autores e formatos) que procuram tentar perceber o que é e o que pode ser ensinar e aprender Português. Blogue administrado por Rui Vieira de Castro [rvcastro@iep.uminho.pt], Maria de Lourdes Dionísio [mldionisio@iep.uminho.pt] e António Branco [abranco@ualg.pt]. Se quiser publicar, envie o seu texto, por e-mail, para qualquer dos administradores. Se preferir, já pode deixar os seus comentários on-line. Participe!

terça-feira, setembro 13, 2005

Início de aulas e, para alguns, o duro confronto com a realidade... 

Aproveito ainda para contar uma situação caricata, para não dizer insólita! Fiquei colocada na escola de G. (horário incompleto claro, não está fácil para quem começa!) onde hoje reuniram os professores de português para delinear o programa da disciplina. Ora, até aqui, tudo bem! Surpreendente foi quando sugeriram que se seguisse o manual adoptado para fazer o programa dos 7º e 8º. Uma coisa é aproveitar o manual (que assume um papel de relevo), outra é fazer com ele o próprio programa... Será que isto também se passa noutras escolas??(mail de Lurdes Martins)

segunda-feira, abril 25, 2005

Hoje, particularmente, não resisto a comparações:
Sumário de aula de Português do dia 20 de Abril de 2005:
"Leitura e interpretação do texto O casamento da franga. Os graus dos adjectivos".
Sumário de aula de Português do dia 20 de Abril de 1974:
"Leitura e interpretação do texto O casamento da franga. Os graus dos adjectivos".

O regresso do Português. Para assinalar a força das palavras. Posted by Hello

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

A CARTA 

A carta que se segue, enviada aos eleitores, dava uma belíssima actividade de análise nas aulas de Português:

Caro(a) Amigo(a),

Não pare de ler esta carta. Se o fizer, fará o mesmo que o Presidente da República fez a Portugal, ao interromper um conjunto de medidas que beneficiavam os portugueses e as portuguesas. Portugal precisa do seu voto para fazer justiça. Só com o seu voto será possível prosseguir as políticas que favorecem os que menos ganham e que exigem mais dos que mais têm e mais recebem. Você não costuma votar, e não é por acaso. Afastou-se pelas mesmas razões que eles nos querem afastar. E quem são eles? Alguns poderosos a quem interessa que tudo fique na mesma. Incluindo a velha maneira de fazer política. Eles acham que eu sou de fora do sistema que eles querem manter. Já pensou bem nisso? Provavelmente nós temos algo em comum: não nos damos bem com este sistema. Tenho defeitos como todos os seres humanos, mas conhece algum político em Portugal que eles tratem tão mal como a mim? Também o tratam mal a si. Já somos vários. Ajude-me a fazer-lhes frente. Desta vez, venha votar. É um favor que lhe peço!

Por todos nós,

Pedro Santana Lopes


Há, nela, uma frase gramaticalmente interessante: Afastou-se pelas mesmas razões que eles nos querem afastar. Decomponhamos:

1) Afastou-se pelas mesmas razões...
2) ...[pelas mesmas razões] que eles nos querem afastar.

Quem a redigiu, optou pela simplificação sintáctica ou, se preferirmos, por um princípio de economia - o mesmo que leva falantes a dizer: «O filme que eu mais gostei», em vez de «O filme de que eu mais gostei». De facto, para corresponder à regra, a frase deveria ter sido: «Afastou-se pelas mesmas razões pelas quais eles nos querem afastar.» Às duas formas verbais do verbo «afastar» esperar-se-ia que correspondessem dois complementos.
Creio que a estratégia de simplificação sintáctica é coerente, neste caso, com a opção de redução do destinatário, a quem se quer fazer crer que a crise se deve apenas a um capricho injusto do Presidente da República, que terá cedido à vontade dos poderosos. A partir daqui, tudo se resume a criar uma ilusão de identidade entre remetente e destinatário, ambos localizados «de fora do sistema», ambos mal tratados. Lamentável.

Só me apetece exclamar: «Queixinhas!» ou, como se dizia no recreio da minha Escola, «Queixinhas pé de salsa!» (ou deveria ser «Queixinhas pede salsa»?).

Qual é, então, a mensagem principal desta carta: VOTE EM MIM PELAS MINHAS IDEIAS? Não! A mensagem mais audível é: TENHA PENA DE MIM (E, POR ISSO, DÊ-ME O SEU VOTO)! Só no Domingo saberemos quantos são os eleitores tão lamechas quanto o primeiro-ministro de Portugal.

domingo, fevereiro 13, 2005

Notícia do Expresso:

«Entre a tabuada e o abecedário, cem alunos de uma escola do primeiro ciclo do Grande Porto aprendem, também, a trabalhar a terra. Na horta, ao lado da escola, cultivam com os professores cebolas, nabos e outros produtos hortícolas, vendidos a preços de mercado dentro da comunidade escolar para ajudar a financiar as actividades lectivas.» (desenvolvimento na edição de ontem, 12-2)

Será que os sucessivos Ministros da Educação conseguem dormir sossegados?

quarta-feira, fevereiro 02, 2005


The Reader Posted by Hello

quarta-feira, janeiro 05, 2005

A VOZ DOS LEITORES

Volta ao Blogue, onde é sempre bem vinda, a Elsa Martins.

Desabafos…

Os problemas relacionados com a educação em Portugal têm-me ocupado nos últimos anos. Terminámos mais um período de aulas e as questões relacionadas com a avaliação mais uma vez me fizeram reflectir. Ao deparar-me com turmas de vinte e oito alunos com percursos escolares conturbados e oriundos de meios familiares carenciados questiono-me invariavelmente com a justiça de alguns dos níveis inferiores a dez atribuídos aos alunos. Questiono-me se haverá alguma grelha de avaliação capaz de contemplar as situações dramáticas vividas por alguns dos jovens com quem lidamos diariamente. Não me parece, obviamente, que tal seja possível mas o que me desagrada profundamente é a justificação que nos apresentam para se assegurarem que iremos proceder ao seu preenchimento. Caso surja algum recurso estas serão sempre uma salvaguarda para o professor. Não me posiciono contra aquilo que considero ser uma tentativa de objectivar algo que tem sempre muito de subjectivo: a avaliação. Mas muitas vezes me interrogo porque tem o professor que se salvaguardar? Haverá, porventura, algum professor que tenha prazer em reprovar um aluno? Será possível que algum profissional reprove injustamente um aluno? Ou será que o professor é visto, actualmente, como aquele que menos requisitos reúne para exercer a sua profissão? Há tempos uma colega contava-me a história de uma mãe que em conversa com a Directora de turma dizia mais ao menos isto: "Eu sei, Senhora Professora, ela tem muitas dificuldades mas ao menos que venha a ser professora…" intervenção caricata mas revelador do papel social atribuído aos professores na sociedade actual.
A Escola precisa de meios físicos mas essencialmente humanos. O professor não pode continuar a ser o aprendiz de feiticeiro em termos da saúde, da assistência social e até o psicólogo dos alunos. E digo que não pode porque apenas tem boa vontade e fá-lo na generalidade dos casos com empenho mas sem formação. Cabe ao professor detectar situações que fogem à normalidade para em seguida encaminhar esses mesmos alunos para profissionais habilitados. O problema é que não existem estruturas capazes de responderem às necessidades nem dos alunos nem dos professores na maioria dos estabelecimentos de ensino. A escola que seria a última hipótese para alguns jovens acaba por também ela os defraudar pois ao serem incluídos em turmas com um elevado número de alunos estão a dificultar-lhes a aquisição de conhecimentos e a desmotivá-los para a aprendizagem o que muitas vezes gera a indisciplina. Não podemos esquecer que a indisciplina é, na maioria dos casos, um sinal de desajustamento entre o aluno e os conteúdos. Estes miúdos não são uma geração rasca são antes o fruto de politicas educativas que têm como principal objectivo a contenção de despesas. Os professores acabam por se sentir impotentes para responderem a todas as necessidades dos alunos mas lá vão continuando o seu percurso tentando que os sonhos com que iniciaram a profissão resistam às adversidades.
Mas o desencanto com o sistema educativo parece emergir de várias facções da sociedade portuguesa. Face às alterações verificadas nos últimos 4 anos relativamente a realidade da sociedade portuguesa fez com que a OCDE tomasse consciência do problema educativo/ formativo a nível da educação e desenvolvimento nacional, com vista ao futuro do nosso país. Parece-me que actualmente não fará muito sentido falarmos em insucesso escolar em geral ou em insucesso da Língua Portuguesa em particular, o problema coloca-se ao nível do insucesso social que é bem mais profundo que os anteriores. Apresentarei em seguida as percentagens de três dos indicadores que considero indispensáveis para abordar a questão do insucesso social em Portugal a saber: 67% dos portugueses não tem interesse em adquirir mais conhecimentos, 73% dos portugueses não vêem na Escola a solução dos seus problemas imediatos e 33% dos alunos que frequentam o ensino básico não pensam continuar os estudos. Se os dados apresentados são preocupantes para qualquer cidadão consciente, para um docente eles revestem-se ainda de contornos mais significativos. Enquanto profissional da educação a preocupação com o insucesso escolar/social dos jovens/adolescentes é uma constante. Preocupação esta que se justifica, sobretudo devido às proporções que o fenómeno tem atingido nos últimos anos.
Considero que a escola não é para todos transitarem ou para todos reprovarem mas sim para um nivelamento para o progresso destacando como factor essencial o aumento da qualidade do processo ensino/aprendizagem.
Considero que a mudança nas escolas só ocorrerá quando conseguirmos introduzir nas mesmas a investigação seguida da acção e da formação. Ou seja, só é possível fazer aparecer uma teoria emergente da prática quando conseguirmos usar a prática da análise de conceitos. As Ciências da educação têm-se revelado um contributo válido na compreensão e resolução de algumas destas questões e possuem, inclusivamente, a mais valia de se preocupam com o pensamento global dos alunos. No entanto, se os jovens abandonam a escola é porque a escola não os preenche. Parece-nos que a questão do abandono escolar não se esgota apenas no facto da escola paralela ser apelativa. A verdade é que a escola tradicional perdeu o seu estatuto único. Razão pela qual consideramos que as estratégias do processo ensino/aprendizagem não podem assentar nas aulas expositivas do ensino tradicional. Muitas têm sido as reformas introduzidas no sistema educativo e considero que não tem tido o sucesso esperado apenas porque se tem focalizado sobre a reorganização curricular e os programas das disciplinas. Continuamos a ter um ensino baseado nos conteúdos quando se deveria igualmente investir na renovação de métodos de ensinar e de motivar os alunos.
Parece-me que nas escolas todos memorizaram as leis relacionadas com a educação e fazem questão de as repetir quantas vezes for necessário mas esquecem-se da necessidade de aprender e de partilhar o conhecimento adquirido assim como de fomentar a investigação nas escolas. Muitas têm sido as propostas teóricas apresentadas a nível nacional e internacional que apresentam alternativas possíveis a escola actual. Estas visam uma escola que se proponha descobrir, valorizar e desenvolver as aptidões e potencialidades existentes em todos os jovens: uma escola virada para o desenvolvimento global do aluno.

domingo, dezembro 12, 2004

Comparações...
"Comparisons are odious
Sir Richard Francis Burton

Compare her face with some that I shall show, And it will make thee think thy swan a crow.
William Shakespeare

The challenges and pitfalls of comparing individuals, groups, and nations are legion. Yet, compulsively, social scientists and psychometricians measure, gauge, and scale the abilities, talents, and performances of peoples from diverse walks of life and disparate regions of the globe, all in an effort to compare. What is learned by these comparisons depends in no small way on how thoroughly those taking the measurements understand what makes each individual or group being measured unique, and what makes each cultural context different from others. Without these understandings, data are easily misinterpreted, and generalizations too easily oversimplified".
Topping, Valtin, Roller, Brozo & Dionísio (2003).
Report of the International Reading Association PISA Task Force. http://www.reading.org/resources/issues/reports/pisa.html
Evento de literacias
O projecto Literacias – Contextos, Práticas, Discursos, desenvolvido na Universidade do Minho e na Universidade do Algarve, visa, globalmente, contribuir para a compreensão do que são as práticas de leitura e escrita, particularmente entre os estudantes, de como estas práticas são construídas em contextos e por discursos particulares. Este conhecimento é amplamente reconhecido como um passo determinante no desenvolvimento de iniciativas de/para a literacia, particularmente no contexto educativo.
No sentido de participar no contínuo reforço dos laços intrínsecos entre práticas de literacia, currículo e educação, particularmente ao nível das disciplinas de línguas e literaturas, este projecto vai realizar, na Universidade do Algarve, nos dias 13 e 14 de Janeiro próximo, uma Conferência Internacional que conta com a participação de vários especialistas da Europa e do Brasil. São seus principais objectivos, não só a divulgação dos resultados do projecto, mas, sobretudo, discutir esta problemática num quadro mais vasto, onde se equacionem políticas e programas de acção.
Dos leitores:
Perdoem-me se insisto...

The Independent

Primary schools show rise in high-flyers
By Richard Garner, Education Editor
02 December 2004
More than a quarter of a million 11-year-olds are arriving at secondary school with a three-year head start, primary school league tables published today show.
High-flying pupils are achieving the levels expected of 14-year-olds (level five) in maths, English and science national curriculum tests by the time they leave primary school.
Figures show 43 per cent of all primary school pupils - about 258,000 children - achieve level five in science. In maths and English, the figures are 31 per cent (186,000) and 27 per cent (162,000) respectively. The number of high flyers in maths and science is up this year by 2 per cent on last year's figures.
In two schools - Birch C of E school in Colchester, Essex, and Esrick C of E school in North Yorkshire - every single pupil is two years ahead of the expected standard for an 11-year-old. In science, 13 schools achieved this benchmark.
Ministers and teachers' leaders hailed the pupils' success yesterday. Steve Sinnott, the general secretary of the National Union of Teachers, said: "Let's celebrate the work of our primary teachers and pupils. The proportion of children gaining the higher level five in science shows what a continuing success story science in particular is for primary schools."

Como é que a Associação Inglesa de Escolas Primárias chega a estas conclusões sem ter por base numa avaliação graduada de desempenhos (rankings)?

Já agora, veja as diferenças:
PÚBLICO
Alunos Portugueses São dos Piores na Matemática
Por BÁRBARA WONG
Terça-feira, 07 de Dezembro de 2004
Mais de metade dos alunos portugueses com 15 anos têm níveis de literacia matemática baixos, ou seja, não conseguem mais do que fazer tarefas simples. Portugal continua a ocupar um dos últimos lugares do "ranking" feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), a partir do estudo internacional sobre a competência dos alunos de 15 anos, conhecido por PISA (Programme for International Student Assessment).
Matemática, leitura e ciências são as três áreas testadas e em todas elas os alunos portugueses situam-se no fundo da tabela. Ao contrário da edição de há três anos, dedicada sobretudo à leitura, o PISA centra agora as suas atenções na Matemática - entre 29 Estados, Portugal fica em 25º lugar.

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